Não me veja apenas
Me olhe, me perceba...
Não ouça apenas minha voz
Me escute atento...
Me toque, sinta...
Me beije, me envolva...
Não silencie...
Diz... Mesmo
nas entrelinhas...
Sou mulher
Eu bem sei, envelhecer é um processo de amadurecimento contínuo, É urgente me adaptar, aceitar e dar boas vindas de "ser inteira", abraçar ainda minhas infinitas possibilidades... Sou Regina, coleciono histórias, cicatrizes, alegrias e gargalhadas, rio fácil, de mim, das circunstâncias, das mancadas Quem me conhece, sabe, não me contenho, o riso extravasa, gargalhadas! Não sou de guardar mágoas, mas ainda tenho algumas, em processo de libertá-las , "guardar" gera sofrimento, adoece... Tentando viver esse processo de envelhecer com menos pressa, mais verdade, menos paixão e mais compaixão... Parafraseando Fernando Pessoa , “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas Que já tem a forma do nosso corpo E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares É o tempo da travessia E se não ousarmos fazê-la Teremos ficado para sempre À margem de nós mesmos” Esse é o meu tempo de travessia. ...
Minha saudade é leve... Que saudades! Dos colegas da minha rua Bahia, Da nossa casa, do quintal, quando ainda pequenos. Da comidinha de mãe , simples mas tão gostosa, cheia de ingredientes de amor. Vou fazer uma pausa, Vou falar de minha tia Joaninha, exemplo de amor e ternura. Meu tio Ragoelli, meu ouvinte, meu professor... e dos meus irmãos... Tia Joaninha, dedicada, humilde, amorosa, terna e forte, Cuidou de todos nós irmãos, os primeiros. Tão cautelosa e bela. que nosso querido e inesquecível tio Ragoelli, Se apaixonou por ela... Tio , ser humano lindo, trabalhador, muito amigo, compreensivo e dedicado. Amoroso e terno... Lembro-me dele, com muita ternura e saudades. A motoquinha? Como esquecer? Uma marca registrada. (suas traquinices com as chapas de inox na Temper? A gente não esquece...) Da Loló Sua amizade, vi...
Filhos, Eu bem sei , vocês também, nunca fui uma mãe muito comum. Já escorreguei de papelão com vocês no morro como fazia na infância. Tentei andar de patins e me esborrachei no chão. Brinquei de pique esconde, e era sempre a primeira a ser achada. Também não sou avó comportada, discreta, tão pouco serei uma "Bisa" aos módulos "normais", porque sou assim, "Regina" Não sou uma mãe controladora, sempre me esforcei pra dar a vocês liberdade de ser "singulares" , embora , não seja fácil romper com "verdades absolutas" que a gente aprende ao longo da vida... Claro, meus pais também fizeram o que puderam para nós , seus filhos. Foram firmes! Presentes! Também , nem sempre acertaram, mas nunca deixaram de nos amar. Um amor sem dimensão. Tenho um coração grato , por tudo. Hoje eu sei, eles também devem ter se cobrado muito, Choraram suas "lágrimas invisíveis" Em algum mom...
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