sábado, 28 de janeiro de 2012

Parte XXIX "Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses." Rubem Alves

Sem perceber, Ixia começava a se libertar da porção "menina" que morava dentro de seus olhos e de seu coração;
Isso não acontecia de forma acelerada, nem em sua totalidade, porque nascera "FLOR" e em em suas raízes, muita sensibilidade.
A verdade, é que ninguém liberta de sua essência; de "ser"o que se é; somos o que somos; e a descoberta de quem queremos ser incide nas inevitáveis escolhas;
que se tornam ainda mais mais difícieis para as pessoas que querem mais do que tudo, "ser e tornar-se".
Queria tornar-se.
Haveria de se submeter a mudanças necessárias pra "
bem viver";
Desarmar o coração, renovar a alma.
Viver, não era complicado ; tampouco amar,
Ela é que complicava as vezes...
O
borbulhar de suas emoções e de seus sonhos, conflitavam-se.
Sentia-se tal uma gaveta, que nunca se fechava.
Admitia seu erro, talvez tivesse mesmo exigido
do outro que a amasse a seu modo,
Compreendia seu equívoco;
Tentara definir intensidade e perfeição no amor
...
Não! O amor nunca seria perfeito! Apenas o divino amor de Deus!Os homens jamais atingiriam a perfeição!
Ainda que buscassem-na todos os dias.
A perfeição esbarra no egoismo, precisão,orgulho,
nas expectativas, etc...
Estava convencida de que nada poderia impôr ao amor;
Se amor, "privilégio".
Ixia era privilegiada!
Tinha uma família "grande", Um jardim!
Flores complexas!

Amigos maravilhosos!
Os pais? D. Hera e Sr: Dendron
(Humanos imperfeitos! Grandes mestres!)
Um namorado, Lótus! Amigo! Confidente!
Tinha a sua frente todos os motivos pra ser feliz e amar de novo.
Não fugiria mais do amor...
Lótus demonstrava-lhe amor através de gestos concretos de respeito e afeto, Sinceridade nas palavras, compreensão e carinho.
Fazia-na perceber coisas importantes
O seu amor gerava-lhe uma energia positiva
O passado?
Tinha sua importância
Isso não se discutiria, nunca!
O futuro?
Tinha tesouros escondidos
O presente?
Era fato, real!
Eles eram "imperfeitos e inacabados"
Propensos a caminhar juntos...


domingo, 22 de janeiro de 2012

Cap. XXVIII Há o tempo certo de florir e desabrochar ...

Ixia sentia-se cada dia mais "FLOR".
Queria se conhecer mais,
Lidar melhor consigo mesma e conhecer seus limites.
Queria entender o motivo da sua vida
Compreender sua missão num mundo que as vezes parecia tão cruel
mas outras vezes tão "mágico".
Sentia que precisava conhecer e amar mais as pessoas.
Estava rodeada de amigos que faziam-na muito bem
e que judavam-na a ser melhor.
Gostava de ouví-las, saber de suas fraquezas, de suas alegrias e tristezas,
No fundo gostaria de ter mais discernimento para separar a emoção da razão.
Sabia, nada na vida surgia por acaso...
Agora , fazia parte do grupo de jovens da igreja,
vivenciava sua experiência num grupo de jovens
Havia a um plano de Deus em sua vida
Sentia o vento do sopro de Deus e isso era uma experiência maravilhosa!
Ainda não aprendera a voar, mas era ali, naquele vento que queria estar!
Queria viver!
Sentir!
Estar no presente!
Começava a compreender que o ser humano tinha a sua pequenez e sua incapacidade,
mas ao mesmo tempo sua grandeza e poder;
Descobrir o verdadeiro sentido da palavra "sentimento", e
compreender a forma de sentir como "pessoal e intransfirível".
Como flor sentia-se podada pelas mãos do perfeito "jardineiro", DEUS.
A vida seguia...
Agora já fazia parte da diretoria cultural do "grupo de jovens" da igreja que frequentava.
Estava tendo uma grande oportunidade de conhecer novas pessoas e consolidar velhas amizades; e foi exatamente nesta fase de grandes oportunidades
que reencontrou
Lótus.
Uma das melhores pessoas que ja tivera oportunidade de conhecer.
Um rapaz polido, educado , assertivo, atencioso e minucioso aos detalhes.
Tinha a auto estima alta que as vezes até soava como arrogância mas ao contrário disso era extremamente simples e generoso.
Ouvia mais, falava menos. Respeitava opiniões, era claro, e objetivo.
Era um grande amigo, inteligente e confidente;
mais a frente tornou-se seu "namorado"!
Ixia preparava seu coração para amar de novo...

sábado, 14 de janeiro de 2012

Parte XXVII "Deixar ir, não significa desistir, mas sim aceitar que há coisas que não podem ser."

10 meses se passaram...
Toda a "ausência" de Lírio se manteve. Nenhuma carta.
Algumas notícias chegavam através de primas e alguns poucos amigos que tinham em comum.
Íxia já não mais esperava o carteiro com aquela ansia infantil de antes; embora no fundo quisesse muito que Lírio "guardasse o caminho de volta".
Era o seu "desejo secreto", nada dizia a respeito, sentia apenas.
As vezes até doía...
Talvez fosse mesmo um pouco orgulhosa,
isso explica a sua tentativa de forjar uma "imagem" de Indiferente e descolada;
principalmente frente as pessoas ligadas a Lírio.
Por dentro, sentia-se "impar", aquele "amor" que existia apenas de sua parte, que dava luz, cor e tom ainda que desafinado era a sua existência.
Talvez ele nem soubesse, pois ela fazia questão de esconder; mas somente a idéia de encontrá-lo em qualquer esquina; de ter a sua amizade para sentí-lo mais perto,
ou um OI seria suficiente pra sentir-se feliz...
A sua lembrança era uma constante, Não cansava de ler seus textos antigos,
pegava as fitas cassete de músicas gravadas especialmente pra ele, mas nunca "enviadas",
lembranças dos sonhos que se contaram, dos segredos divididos e outros completamente segredados...
Estava no limite. A rotina parecia andar em círculos dentro da inércia em que tudo se transformara.
Transbordaria a alma se não tomasse uma atitude...
Pensava em milhares de possibilidades mas nenhuma delas parecia ser verdadeira.
Não dava para escolher um caminho sem saber onde se queria chegar...
Na verdade, depois de tanto tempo, conseguia "começar" a pensar nas palavras de Vivaz:
"Lírio é apenas uma projeção do que você quer pra você"
Projetar, esperar ou entregar a alguém a dura tarefa de nos fazer felizes não era algo construtivo, tão pouco sensato. Sabia disso!
Havia nascido para flor; suas pétalas frágeis, tinha espinhos, mas seus galhos
eram demasiados fortes, haveria de "enfeitar algum jardim". Sentia isso.
Foi um ano difícil.
Ganhou. Perdeu.
Perdeu o ano na escola.( Pela primeira vez)
Sentiu muito.
Jamais havia perdido sequer um bimestre.
E agora, o ano. Logo 0 último. O terceiro ano de magistério.
Com tudo pronto para a formatura. O anel de formatura lindo!
Presente do pai, Sr Didi.
(ser humano único e singular. uma presença carismática.
Excessivamente ciumento com as filhas,
turrão em relação aos namoros. Tímido nos gestos de afeto;
mas extremamente afetuoso.)
Ganhou experiência. Construiu coisas novas.
Conheceu pessoas maravilhosas.
Algumas delas do Encontro vocacional.
Entrara no encontro porque em algum momento sentiu que seria mais fácil ser "freira".
A sua permanência durou pouco.
Descobriu o verdadeiro sentido daquele encontro vocacional;
"não era fuga, mas compromisso".
Sentia-se chamada para a "vida"
Tinha a vocação humana : Ser gente, ser pessoa
E sua alma de flor tinha desejos de florir , "gerar flores"...
Foi um ano que se afastou ainda mais do que passou.
Da sua porção menina.
Fez com que quissesse viver mais e sentir as coisas como elas eram.
Suas decisões teriam de ser tomadas de alma "livre".

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pausa poética... "O amor é o alimento"


Um pássaro aprendiz
passeava no seu olhar
e voava enternecido...
Visitava o pôr do sol
contava as estrelas
e esperava ansioso pela lua cheia...
A menina tinha receio da liberdade daquele pássaro;
Ah! ela sabia! Ele alçaria vôo ...
Vivia "preparando" seu coração de menina,
"frágil e sonhador"
As vezes ouvia o som de Deus
que dizia:
Ame, o amor é o alimento, ilumina teu céu...
Desde então, nunca mais deixou de amar.
"Que luz é essa!" Perguntavam-lhe
Nada dizia, mas sabia
Sentia-se como um" Fênix"
o amor transformava-a
fazia-a "renascer" todos os dias...
Hoje, ela sabe,
tornou- se uma mulher, "forte"
Guarda dentro de si o amor, o alimento
como estrela cintilante, brilha, ilumina...
Não teme a liberdade do pássaro
Sente que ele é forte
Isso alivia seu espírito.
Entre eles uma cumplicidade silenciosa, um "sótão"
Sobem as vezes as escadas do amor, "o alimento"
Que aquieta-lhes a alma...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Parte XXVI Sentia-se "rosa". Suas pétalas abriam-se com o calor de seu "amor próprio"

Um pássaro livre,
Nas asas a missão:
"mudar o seu destino"
Já não era mais aquele menino do interior
Suas asas e sonhos distanciava-o de Ixia a cada dia.
Entre eles as correspondências diminuíam significativamente.
Algumas fotos guardavam a sete chaves.
Curiosamente Íxia já não mais sofria tanto.
Os longos "silêncios", cultivados da parte dele,
fizeram com que se sentisse menos "presa"
Deixava-o traçar a linha do seu destino sem cobranças.
Estava cansada de se prender a quem não se prendia por ela;
de procurar vestígios de algo que não existia mais,
e só ela ainda não tinha notado.
Em suas cartas, ele não pedia que o esperasse.
Tinha compreensão de que a vida, o destino,
lhe traçara caminhos diferentes.
Sabia que não podia lhe pedir isso; Íxia acabara de completar 17 anos.
Ainda que tivesse vontade de "gritar"
os seus motivos pra não estar com ela, não faria isso!
Primeiro porque era "turrão" e depois porque no fundo sabia que o tempo, a vida poderia lhe trazer novos amores,
Ou quem sabe alguém em seu caminho...
Estava decidido. Deixaria "livre" o coração de Íxia.
Que tipo de sentimento era o de Lírio capaz de "silenciar"
calar o coração a ponto de selar os destinos?
Ainda presa aquele sentimento "solitário e platônico" Íxia se questionava.
No auge da emoção e completamente distante de seu "amor próprio"
Seria capaz de pedir a ele para
permanecer em sua vida,
mesmo sabendo que ele não fazia absolutamente nada para permanecer na sua.

Mas afinal que tipo de amor era aquele dela que não pedia nada,
só mendigava atenção?
Por que contentava-se com tão pouco?
Ela não alcançava o sentimento que ele lhe dedicava...
Pensava:
Se amor, LUZ.
Porque amor, ilumina...
Se amizade, ACONCHEGO
Porque amizade enriquece, enternece,
Se paixão, FOGO
Porque paixão acende,
aquece
Se pena, GELO
Porque pena esfria, reduz...

Íxia já não era mais aquela menina de 11 anos que desfolhava a flor
"bem-me-quer" "malmequer"

O tempo passou, deu tantas voltas
"Bem que se quis"...
Embora o amasse, seu coração começava experimentar "alta".
Já não estava mais tão "disponível" para Lírio.
Mesmo ainda não estando interessada e nem a fim de alguém
Comprometera-se relacionar-se consigo mesma.
Foi um momento muito especial pra Íxia.
Exercitou a paciência, consciência e algo fundamental;
"a presença de si mesma"
Começava a resgatar em si os valores esquecidos,
o desejo e a grande capacidade que ela tinha que era "compartilhar"
Começava a sentir-se novamente "rosa".
Suas pétalas já não congelavam mais com o frio daquele intermitente silêncio e indiferença de Lírio
Mas abriam-se ao calor do seu amor próprio...