domingo, 26 de fevereiro de 2012

Parte XXXII "A amizade é um amor que nunca morre." Mário Quintana


Íxia e Lótus estavam namorando a quase quatro meses ;
Não queria aborrecê-lo

Ao mesmo tempo, jamais seria indelicada com Lirio;
afinal, tinham sido namorados por longa data,
embora sempre à distancia.
Lótus haveria de entender;  Lírio não deixaria de ser seu amigo. Nunca!
D Hera  foi gentil como era sempre com todos os amigos
e parentes que chegavam de fora; preparou a mesa para o almoço.
(todos já haviam almoçado)
Ele agradeceu a hospitalidade. Elogiou a comida,
e fez um breve comentário sobre massas;  um de seus pratos preferidos.
Íxia  aproveitou o  pequeno diálogo entre os dois
para  pediu a mãe pra levar uma encomenda pra  irmã mais velha

que morava a um quarteirão dali. Era a oportunidade pra sair um pouco.
A verdade é  que não estava se sentindo muito a vontade com a presença de Lírio.
Se cobrava pelo fato de estar ali diante dele

mesmo sabendo que entre eles nao haveria mais nada.
Era extremamente honesta consigo mesma e com os seus principios,
centrada o bastante para nao perder o equilibrio  e se deixar levar pelos impulsos.
Daria  naquele instante qualquer coisa para que suas vidas não tivesse percorrido rumos contrários e aquele "namoro" tivesse dado certo.
Mas "bem no íntimo" compreendia, não era o começo do fim mas
a  "constatação". 
Tinha apenas que se convencer disso.
O que faria com aquela dor fina era apenas um detalhe...
Os sentimentos se misturavam.

Estava feliz ao lado de Lótus, ele era presente, passava segurança.
Tinham cumplicidade e verdade.
(O que mais haveria de querer uma garota aos dezoito anos?)
 

Sabia, cada passo seria fundamental para o próximo...
Talvez por desconhcer a lógica dos sentimentos  tenha ficado
tanto tempo presa  a sentimentos  como  ilusão e idealizaçao

a ponto de construir um "forte" dentro do coração.
Mas, já era 
hora de "tirar" coisas que julgava importantes 

e dar a ela mesma outras de presente.
Assim haveria de ser! Um tempo seu,  de  prioridades  e possibilidades.
Estava convencida de que o melhor que tinha a fazer

era estar ao lado de alguém  que pudesse estar "presente",
ser cumplice e  compartilhar seu dia a dia...
Se estava ressentida? Sim, estava;  mas não era burra, tampouco insensível.
Tinha inteligência o bastante para compreender que naquele "momento"
acima de qualquer coisa  pra Lirio, estava o zelo pelos seus sonhos.
Nao abriria mao deles, estes, eram alicerces para seu futuro .

Gostava disso em Lírio, a capacidade que tinha de seguir em busca de seus sonhos.
Enquanto caminhavam pela calçada, observava-o.
Alto e meio tímido diante dela, as sobrancelhas arqueadas e olhos que diziam...
De repente foi surpreendido por uma bola de futebol que quase lhe caiu aos pés,
(Uma turma da esquina que jogava pelada ao final da tarde no Clube do bairro)
Pisou na bola.

Por  instantes, parou a bola entre os pés, como se lhe dissesse,
"Pisei na bola contigo, mas pisastes também, arranjastes um namorado";

Em seguida, lançou a bola pro meninos. 
Não sem antes fazer uma cena de "grande craque".
Jamais perderia aquela oportunidade de se mostrar. Não Lírio.

Trocaram olhares e Ixia deixou escapar um sorriso doce, que o fez suspirar de alivio
"estavam perdoados".
A verdade é que não havia nada a ser perdoado, porque ao longo
daquele romance entre os dois, o saldo era positivo,
fizeram  uma  grande diferença na vida um do outro; e isso nem o tempo apagaria...
Tinham uma simplicidade tão pura, a ponto de criar na alma uma espécie de dor estranhamente feliz!
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