domingo, 27 de novembro de 2011

Parte XIX Amar se aprende amando...

Íxia vivia o seu "amor".
Amor que transcendia tato, tempo e distância.
O essencial era o amor. A maneira como ele era transportado pouco importava.
Amar se aprende amando. Inventa,reinventa.
Tudo era um simples símbolo de algo muito maior e sincero...
Acreditava em uma coisa que pra ela era real enquanto muitas pessoas diziam o contrário.

Se qualquer relacionamento já era por si só, complicado, imagine se relacionar com uma pessoa que não estava fisicamente perto.
Algo complicado. Ainda mais para uma menina, agora aos 16 anos...
Tudo se potencializava: os ciúmes maiores, a saudade maior (lógico)
Potencializava-se pelo simples fato de não tê-lo ali do seu lado, pra olhar no fundo dos olhos...
Uma falta que pode fragmentar a confiança...
Namoro a distância era apenas para os fortes (pensava…).
Era forte!
O que estimulava a sua essência, era o prazer de desfrutar um sentimento tão gostoso,
que provocava sensações como a ternura, carinho e a doce saudade...

Estava disposta a abrir Mao de um tanto de coisas pra viver aquele romance.
Aprendia a dar valor aos pequenos gestos. e concentrava esforços no sentido de vê-lo de novo...
Talvez ele não se esforçasse tanto; Ela sim ...
Brincava de ser feliz. Fazia planos, seguia o instinto...
E foi assim que Íxia cometeu a sua primeira "transgressão"...

domingo, 20 de novembro de 2011

Parte XVIII " Afinidade é uma energia ...Sentir sem a necessidade de explicar o que está sentindo...

O coração de Ixia vivia em estado de amor,
Uma energia positiva.
A luz que emanava de Lirio, alcançava-a...
Tinham afinidades.
Não importava as impossibilidades, os adiamentos, a distância, a ausência.
Uma carta bastava para retomar o afeto
Questionava-o muito mas aceitava suas desculpas sem o recriminar...
E não foram poucas as vezes que prometeu vir e na hora H, simplesmente não veio...
Uma de suas promessas foi na festa de 15 anos de Vivaz
Ela o esperou na estação.
O trem atrasou por quase duas horas e ela permaneceu alí
queria muito ir a festa com ele.
Havia feito planos. Ele seria seu par na Valsa de VIVAZ...
O trem chegou! Esperou que descesse o último passageiro
na esperança de que surgisse por qualquer porta de vagão...
Naquela noite, poderia ter ido a festa. Não lhe faltaria um par.
Tinha dezesseis anos, era inteligente, falante e amava dançar.
Não foi a festa. sentia-se impar...
E foi sempre assim...
E era sempre assim...
Uma simplicidade de sentimentos partilhados a Kms de distância...
Um mistério da alma, que não se media pelo tempo nem pela distância,
mas pelo sentimento bom que ocupava o coração um do outro
e que influenciava diretamente Ixia;
sua maneira de ser, de falar, de sorrir, de escrever.
Talvez seja tão singular e especial porque que foge à razão e transcende o tempo.
"Presentes" ainda que tão distantes...
Sim! tinham uma "energia positiva" tão forte, que as vezes encabulava .
Uma amizade, "laço" que conseguia tirar deles o que tinham de mais "bonito"...
Talvez eles fossem mesmo "anjos" um do outro...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Parte XVII O encontro, o encanto...



DE QUANTO TEMPO É FEITO O INSTANTE?

Não existe escola que ensine a disfarçar
emoções. Não diante dos nossos amores...
Ixia estava vivendo um momento de grande emoção. Lírio estava em sua cidade.
Era a primeira oportunidade que tinha de desfilar com ele nas ruas. Era "real" e era "lindo"!
Seu coração batia em cãmara lenta,
sentia-se nas nuvens mesmo com os pés no chão...
Fechava os olhos pra sentir o que não podia traduzir em palavras
Os olhares, os abraços, O beijo, tão sonhado...
Amava-o com uma doçura indescritível.
Ele era terno, respeitava seus limites.
As vezes ele ria de sua meninice,
Conseguiam ser "transparentes"diante do outro
A felicidade transbordava em seus olhos
Perto dele sentia a vida dinâmica, cheia de possibilidades,
Embora soubesse que ele ficaria tão pouco
e nenhuma certeza ela tinha de que voltaria...
Ixia vivia o instante...
Gostava da possibilidade de saber naquele instante
o que ele tava pensando, sentindo...
Surpreendia-se com cada palavra que ele dizia, com cada detalhe...
Queria conhecê-lo a fundo, do jeito que ele era exatamente,
suas fragilidades e forças...
Estava feliz!


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Parte X VI Do seu amor, sempre fêz poesia...


As cartas de Lírio começaram a chegar.
Agora sim, Ixia estava namorando; mesmo que por correspondência.
Agora já tinha quatorze anos, já não mais escondia suas cartas
pelo contrário, gostava que soubessem da existência delas
até porque elas eram a prova de que seu amor não era uma invenção,
pelo contrário, era bem Real!

Respondia todas as cartas, não se demorava.
Até que um dia...
Sentiu-se mal. Foi internada...
Passava das 20 horas quando a porta do quarto do hospital se abriu lentamente.
Era seu pai, Senhor
Dendron
Ninguém tirava seu pai de casa no horário do Jornal Nacional
Ele nunca deixava de responder "BOA NOITE" ao CID MOREIRA.
Nesta noite ele deixou...
Seu coração o levou ao hospital. Foi lindo!
Ainda meio adormecida, escutou a sua voz.
- vim ver como está passando e trazer algo que chegou pra você esta tarde.
Um silêncio pairou entre eles.
Nas mãos, uma caixinha e um envelope...
-Qual dos dois quer ver primeiro?
-Tenho aqui uma caixinha com uma surpresa linda
sua madrinha que enviou. Tenho também uma carta .
Mais que depressa Ixia respondeu:
-A carta pai.
Ele a olhou fixamente nos olhos como se dissesse,
"eu já sabia"
Entregou-lhe o envelope, deixou a caixinha sobre a mesa,
deu-lhe um beijo na testa e despediu-se.
Leu a carta. Releu.
De novo, de novo, de novo...
Demorou um pouco para respondê-la porque o sangue, devido ao seu esforço,
de vez em quando voltava pela mangueirinha do soro injetado em suas mãos.

Naquela noite, dormiu com a lembrança do olhar de afeto do seu pai
e abraçada a carta do seu primeiro namorado. (segredo já desvendado)

A correntinha de ouro com a letra "R" era linda ,ficou sobre a mesa.
Acho que ele, o seu meu primeiro namorado, nunca soube do hospital...
Do seu amor?
Não sei o quanto.
Sei dizer apenas que seu amor era "Pura Magia"
Dele, "sempre fez poesia"
...

Parte XV Sentir-se flor, pura magia...


Desde que seus olhos cruzaram com os de Lirio sentia-se enamorada;
Voltou a sua cidade poucas vezes , mas sentia seus sentimentos crescerem a cada encontro.
Já não se importava quando diziam que seu amor era fantasia,
que havia inventado um namorado....
Acreditava que Lirio havia entrado em sua vida não por um mero acaso;
mas pra deixá-la feliz. Pra que acreditasse no amor, pra sentir-se flor ...
Sentia vontade de compreender Lírio; entender seus olhos e seu coração.
Estava apaixonada!
Dessas paixões que "dormia e acordava" com ela.
Colocava seu nome escrito num papel debaixo do travesseiro,
dica que seguia a risca para sonhar com ele
Treinava frente ao espelho o beijo que um dia lhe daria...
E foi assim desde então...
Ele era o seu namorado. Eram diferentes.
Íxia apesar de ainda tão menina, era subjetiva, mais emocional, cheia de sentimentos;
Lirio era mais pratico, racional e realista; embora fosse romantico...
Somavam-se.
Ausência querendo a presença
.
Era assim o seu amor...
T
entaram fazê-la acreditar que o amor não existia
e que seus sentimentos não passavam de pura ilusão.
Mas ela era teimosa e insistia em construir castelos sem pensar nas marés;
Acreditava na magia dos sonhos.

E sonhou...
Durante um bom tempo pensou nele e viveu um amor quase que "platônico"...
Ele?
Foi ser marinheiro ...

domingo, 6 de novembro de 2011

Par XIV Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Saint-Exupèry


Íxia sentia um "desassossego" .
Uma tristeza sem nome.
A tarde não saiu de casa.
Tampouco acompanhou Vivaz a casa de Flor de LiZ.
Preferiu ficar só com seus pensamentos.
Alguns questionamentos como:
Porque tinha ela de conhecer aquele menino
capaz de fazê-la sentir-se nas nuvens;
Fazer sua vida ganhar nova forma, novo tom, novo som,
pra depois fazê- la sentir-se tão triste?
A verdade é que sentia demasiado tudo a sua volta.
Talvez carregasse mesmo o coração do lado de "fora" como dizia uma amiga.
Embora precoce, sentia-se mudando...
Doía mudar. A cabeça se enchendo de coisas novas
fazendo certezas se tornarem dúvidas intermináveis.
Crescer naquele momento pra Íxia era meio que "solitário" ,
um assunto inteiramente "dela", protegido pelas muralhas da sua fantasia...
A noite chegou e com ela um recado trazido por por ViVaz.
Estavam todos esperando por ela na rua.
Vivaz não sabia o motivo do desassossego da amiga,
embora desconfiasse se tratar de algo relacionado a Lirio
porque ele também parecia estar triste.
Embora nada tenha dito. Era reservado demais.
Vivaz se aprontou e de novo insistiu com Íxia.
Ela relutou mas acabou cedendo aos apelos,
Não da amiga, mas de seu coração; ele sempre falava mais alto.
Lirio estava sentado no portão. Como se a esperasse.
Tinham uma "química" explosiva no olhar.
Olharam-se encabulados.
A turma foi chegando...
Era mais uma noite de brincadeira .
Nesta noite, a brincadeira já tinha sido escolhida.
ou melhor, devidamente "planejada"
Pêra, uva ou maça?
Ficavam em círculo, e uma pessoa sorteada pela turma
coordenava a brincadeira.
A sorteada da noite? Flor de Liz
E então neste noite, de olhos vendados, ele escolheu Ixia.
Sorte? Não!!!!!!!!!!
Tudo combinado!
E então a resposta. "Maçã"
Houve um beijo no rosto...
Não era o que esperava a turma...
Mas, respeitavam seus limites. Um beijo no rosto...
Nesta noite, ele a levou na porta de casa...
Havia uma cumplicidade de olhar, de sentir...
Quando uma voz lá de dentro soou...( era D. Iris)
Apressava-a pelo horário...
E então, ele timidamente pegou suas mãos
E disse com um tom meio que "se achando"
-Te vi no desfile. Gostei que tenha ido me ver desfilar
Gostei mais ainda do seu jeito "bravo"
Gosto disso em Ti , esse teu jeito de ser transparente.
A menina que tu vistes é amiga de sala
colocando um acessóri o da Patria que havia
descolado da minha camisa.
Um silêncio pairou entre eles.
Pelo olhar parecia desfeito o mal entendido entre eles.
Despediram-se e ele prometeu visitá-la em sua cidade.
Estavam namorando, embora ainda não tivessem-se beijado...
Quem sabe numa próxima vez.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Parte XIII Ciumes...


Ixia atravessou a avenida repleta.
7 de setembro era uma festa; um acontecimento grandioso.
As ruas tinham colorido diferente; as cores do
BRASIL!
Amava esse movimento!
Ficou completamente emocionada com a bandinha da escola,
o
som de cornetas, os instrumentos de couro cru,
as coreografias, os alunos impecavelmente vestidos,
professores e os familiares.
Tudo isso encheu o coração e os olhos da menina Ixia.
Ainda não compreendia o significado de Independência;
mas amava sua Pátria e em seu coração brotava a sensação de justiça;
semente da verdadeira liberdade.
Estava linda!
Vestia uma calça azul clara e uma bluzinha branca.
Os cabelos loiros estavam soltos ao vento.
Os olhos verdes estavam ainda mais vivos.
Vivacidade que permitiu
identificá-lo em meio a tanta gente.
Estava "gato"! O uniforme lhe caia muito bem.
Tudo nele era perfeito! Jeito, olhar, sorriso...
(pensava baixinho...)
Faltava alguns minutos para o desfile.
Lirio olhava para um lado e outro como se procurasse alguém ..
Quis acenar, mas recuou.
E se não estivesse procurando por ela? Conteve-se.
Seu pensamento foi interrompido, quando uma menina aproximou-se dele.
Deviam ser da mesma sala pois usavam o mesmo uniforme.
Ele lhe sorriu e falou alguma coisa ao seu ouvido.
Tirou do bolso alguma coisa e entregou a ela
Parecia um tipo de broche que ela se adiantou em colocar na camisa dele.
Aquela proximidade, aqueles sorrisos trocados pelos dois doeu fundo em Íxia.
Naquele instante arrependeu-se de ter ido.
A pele muito branca contribuiu para acentuar ainda mais as bochechas
avermelhadas pelo desconforto;
Desviou os olhos e continuou embaraçada.
Só pensava em sumir dali. Queria esquecer "aquela existência"...
Atravessou apressadamente a avenida se segurando para não chorar.
Para completar, tropeçou feio quase indo ao chão e teve até vontade de gritar:
"Pare o mundo que eu quero descer"!
Não gritou. O mundo não parou.
Apressou-se em voltar pra casa. Ainda bem que a alguns metros dali
encontrou o primo de Vivaz que a levou de Lambreta pra casa!
Neste dia Ixia experimentou pela primeira vez a sensação desagradável de ciumes,
medo de tornar-se excluída; excluída da possibilidade do encontro, do terno e doce amor.
Esse ciume que fez com que enxergasse com lentes de aumento coisas pequenas;
A verdade; é que a diferenciação entre o que é real e o que é imaginário,

Não era tão simples pra uma menina ...