domingo, 11 de dezembro de 2011

Parte XXII O primeiro passo do adeus...


T
inha todos os motivos do mundo para estar radiante!
Enquanto caminhava seus olhos brilhavam de admiração.
O
pôr-do-sol no mar; A paisagem verdinha cobrindo as montanhas;
Navios saindo e chegando no cais...
Estava cada vez mais próxima de encontra-lo; o que a deixava feliz e ao mesmo tempo insegura.
Sua
alma andava de mãos dadas com as mão dele.
E ele? Segurava as tuas mãos?
A verdade é que dentro de si havia uma pequena "insegurança"
Mas naquele instante queria mesmo é despir-se de todos os medos...
O portão se abriu e um aprendiz veio atendê-la.
Teve vontade enorme de voltar atrás, mas se esforçara tanto
que não fazia sentido desistir ...
Esperou por ele em uma das salas de espera.
O coração parecia pular pra fora.
Corou a face como se ainda tivesse 11 anos, quando o viu chegando.
Embora distantes há tanto tempo podia conhecê-lo pelo olhar.
Lirio era transparente.Podia perceber que ele não estava à vontade.
Esperava o brilho do olhar que falava aos seus. O sorriso largo. O abraço,
o beijo,( ainda que apenas o toque fino nos lábios só para constar...)
Foi extremamente educado. Apresentou-lhe a todos os amigos.
Fez isso com uma rapidez tão grande como se quisesse se despedir depressa.
Mesmo assim, Íxia lhe ofereceu seu gesto
simples de carinho,
Um beijo doce na face, carregado de sentimentos.
O que o fez sentir ainda mais culpado.
Íxia pela primeira vez não conseguia
decifrar os seus olhos.
Tampouco seu silêncio.
Indiferença é o pior silêncio que se pode ouvir...
Sentia-se Rosa num jardim de gelo.
Suas pétalas não se abriam com o toque fino de suas mãos
e sim congelavam com aquele intermitente silêncio...
Ainda Tinha dúvidas quanto aquela indiferença de Lirio.
Parecia Fingir uma indiferença.
O que explica a tentativa de Ixia tentando a todo custo
qualquer sinal de amor que ainda pudesse existir .
Mas ele não segurava seu olhar por muito tempo, embora o coração dos dois
batesse no mesmo ritmo.
Podia ser outra ilusão de seu coração de menina romântica
mas sentia que Seus olhares se pertenciam e não havia outra pessoa tão importante no "mundo dele".
Então como explicar aquela indiferença?
Lírio talvez não estivesse preparado para aquele amor, embora gostasse dela de forma terna e singular.
As coisas não eram tão simples como nos contos de fada.
A realidade era mais dura e complicada...
Aquele amor exigia dele respostas das quais não tinha dentro de si. Seus passos eram longos e largos e os seus horizontes muito distantes dos horizontes de Íxia..
Era um pássaro diante da "grande oportunidade de vôo"
Vôo que ela talvez não estivesse disposta a compreender e esperar...
Não houve adeus.
só o sentimento contido naquele sorriso triste que ela dera ao dar as costas a ele; Só o olhar confuso que ele fizera ao dar as costas a ela.
Sem que ele percebesse ela acompanhou-o com os olhos todo o trajeto até o portão. Aquele jeito de andar que era só seu. Seguro.
Não estava b
em resolvido. Ela sabia. Apenas usava uma capa "protetora"
para não torná-lo fraco diante dela.

Quem poderia afirmar que Ixia estava preparada pro seu mundo?
Nem mesmo ela tinha essa resposta.
Sabia que o amava. Sentia -se capaz de espera-lo o tempo que fosse.
O que era pura ilusão de adolescente apaixonada.
O tempo e a distancia poderia afastá-los e sua espera inútil.
Talvez no seu caso bastasse as lembranças, os retratos, as cartas, o "amor"
Mas ele certamente conheceria outros lugares, e quem sabe um novo amor?
No começo, ainda crianças eram só os dois e o amor distante e puro.
Agora, eram as escolhas...

Acho que não se deram conta disso quando juraram amor eterno.
Claro que não! Sabíam muito pouco da vida, dos sonhos, das tempestades, relâmpagos e trovões...
Sentiam apenas a energia que alimentava o amor e sobre os fios de encaixe.
Nada sobre "desconexões."
Naquele instante de despedida, Lírio deixou sua bagagem.
Saiu carregando "dentro de si" apenas um pouco de Ixia.
Ao contrário, ela não foi capaz de derramar a bagagem pra deixar ali tudo ou pelo menos um pouco de tudo que havia vivido com ele e por ele...
Voltou com a bagagem cheia de lembranças e esperanças e sem dizer adeus...
Ele? Talvez tenha até sofrido...
Mas pra ele aquele momento já era o começo de um adeus...

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