quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Parte X VI Do seu amor, sempre fêz poesia...


As cartas de Lírio começaram a chegar.
Agora sim, Ixia estava namorando; mesmo que por correspondência.
Agora já tinha quatorze anos, já não mais escondia suas cartas
pelo contrário, gostava que soubessem da existência delas
até porque elas eram a prova de que seu amor não era uma invenção,
pelo contrário, era bem Real!

Respondia todas as cartas, não se demorava.
Até que um dia...
Sentiu-se mal. Foi internada...
Passava das 20 horas quando a porta do quarto do hospital se abriu lentamente.
Era seu pai, Senhor
Dendron
Ninguém tirava seu pai de casa no horário do Jornal Nacional
Ele nunca deixava de responder "BOA NOITE" ao CID MOREIRA.
Nesta noite ele deixou...
Seu coração o levou ao hospital. Foi lindo!
Ainda meio adormecida, escutou a sua voz.
- vim ver como está passando e trazer algo que chegou pra você esta tarde.
Um silêncio pairou entre eles.
Nas mãos, uma caixinha e um envelope...
-Qual dos dois quer ver primeiro?
-Tenho aqui uma caixinha com uma surpresa linda
sua madrinha que enviou. Tenho também uma carta .
Mais que depressa Ixia respondeu:
-A carta pai.
Ele a olhou fixamente nos olhos como se dissesse,
"eu já sabia"
Entregou-lhe o envelope, deixou a caixinha sobre a mesa,
deu-lhe um beijo na testa e despediu-se.
Leu a carta. Releu.
De novo, de novo, de novo...
Demorou um pouco para respondê-la porque o sangue, devido ao seu esforço,
de vez em quando voltava pela mangueirinha do soro injetado em suas mãos.

Naquela noite, dormiu com a lembrança do olhar de afeto do seu pai
e abraçada a carta do seu primeiro namorado. (segredo já desvendado)

A correntinha de ouro com a letra "R" era linda ,ficou sobre a mesa.
Acho que ele, o seu meu primeiro namorado, nunca soube do hospital...
Do seu amor?
Não sei o quanto.
Sei dizer apenas que seu amor era "Pura Magia"
Dele, "sempre fez poesia"
...
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