sexta-feira, 30 de abril de 2010

Aplauso do mês...


O nosso aplauso é para duas mulheres muito especiais:

Edith Marques
.
Coordenadora da CAAI (Coordenadoria de Assistência e amparo ao idoso de Governador valadares.)
Uma mulher dinâmica, politizada e atualizada.
Desenvolve trabalhos importantes junto à a terceira idade. Promove cursos de conscientização (prevenção e manutenção da qualidade de vida)
Ministra cursos de Dança Senior e outras atividades ligadas ao bem estar físico e mental.

Parabéns!

Sônia Silva Fernandes.
Conselheira de moradia popular, diretora da saúde da Famopes
Conselheira de saúde pública em Vila Velha.
Nascida em Valadares. Hoje reside no ES.
Uma mulher atuante, politizada, sempre presente em movimentos democráticos.
Luta por mais justiça social, saúde pública mais humana e de melhor qualidade
Luta contra a opressão das minorias, Pelos direeitos da mulher e da dignidade humana
Sempre atenta aos desafios do seu tempo, não desiste de acreditar e lutar pelos seus sonhos e convicções.
Parabéns!

De bem com a vida...

Li um texto de KeilaA,B.Knobel onde cita um conceito bem interessante do dicionário de medicina e saúde , organizado por Luis Rey.

"saúde é uma condição em que um indivíduo ou grupo de indivíduos é capaz de realizar suas aspirações, satisfazer suas necessidades e mudar ou enfrentar o ambiente. A saúde é um recurso para a vida diária, e não um objetivo de vida; é um conceito positivo, enfatizando recursos sociais e pessoais, tanto quanto as aptidões físicas. É um estado caracterizado pela integridade anatômica, fisiológica e psicológica; pela capacidade de desempenhar pessoalmente funções familiares, profissionais e sociais; pela habilidade para tratar com tensões físicas, biológicas, psicológicas ou sociais com um sentimento de bem-estar e livre do risco de doença ou morte extemporânea. É um estado de equilíbrio entre os seres humanos e o meio físico, biológico e social, compatível com plena atividade funcional."
Vai além quando chama-nos a atenção :

"Mesmo dentro da "saúde", existem tensões físicas, biológicas, psicológicas ou sociais. O que pode diferenciar a pessoa saudável da doente é a habilidade que se tem (ou não) para lidar com tais tensões. Portanto, a palavra resiliência está muito ligada ao conceito de saúde.

Segundo Grotberg, resiliência é a "capacidade humana universal de enfrentar as adversidades da vida, superá-las, ou até ser transformado positivamente por elas".

Poema do Bem Estar

Bem estar é estar de bem com a vida
É ver o novo a cada dia que amanhece
Gozar de uma saúde plena
Regozijar-se da missão cumprida
Desfrutar do amor que não perece
É caminhar com a alma serena!

(http://www.spacobemestar.com/)



Um pouco de História...( Março e Abril)


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América, em memória da greve das operárias da indústria do vestuário de Nova York, em protesto contra as más condições de trabalho.
O Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por "Pão e Paz" - por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do seu país na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.


O dia mundial da saúde, dia sete de abril foi criado pela Organização Mundial da saúde (OMS)
A Constituição Federal de 1988 declarou que a saúde é " um dever do Estado e um direito de todos e todas". Declara ainda que para se ter saúde é preciso ter vida digna com garantia de acesso à alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação, transporte, lazer e outros bens e serviços essenciais.Ter saúde é ter garantido a condição de bem estar pessoal que envolve os aspectos físicos, mentais e sociais das mesmas .em harmonia


quinta-feira, 29 de abril de 2010

Nossa paciência alcançará mais que nossa força. Edmund Burke


Paciência,
Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre:
Virtude de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo.
Segundo o Dicionário Houais da lingua Portuguesa :
Virtude que consiste em suportar os dissabores e infelicidades; resignação
Capacidade de persistir numa atividade difícil, suportando incômodos e dificuldades; constância, perseverança
Segundo o Dicionário do Aurélio da Ling. Portuguesa: Virtude que faz suportar comresignação a maldade, as injúrias, as importunações etc. / Perseverança, constância
.
.............................................................................
Sofremos a dor da impaciência.
Não temos paciência de esperar o amadurecimento natural de nossas emoções.
Algo não vai bem "dentro de nós,"
Nossa intuição nos diz.

Mesmo em silêncio, nossa alma "GRITA".
Muito difícil compreender e transformar essas emoções.
A verdade é que não admitimos,
perdemos a habilidade de lidar com "esse tempo" e "essas emoções" .
Há um desgaste emocional que compromete toda nossa estrutura física e mental.

Ando-me "questionando" sobre minha "paciência".
Não tenho certeza de que desse "suposto autocontrole";
quem sabe seja a capacidade que tenho de reprimir os meus sentimentos.

Covardia?
Afirmação forte demais.
Prefiro acreditar que são valores aprendidos durante toda uma vida;
Família, igreja, escola...
Fico lembrando uma amiga da faculdade que me dizia que eu tinha vocação pra engolir sapos.
Talvez eu faça isso mesmo de vez em quando.
Mas nestes últimos dias, admito! Não ando tendo muita paciência...
Tá difícil esperar os frutos...

"Autocontrole advém do autoconhecimento. Uma vez que soubermos reconhecer nossos limites, seremos capazes de não perder o controle simplesmente por respeitá-los. "

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Flores lindas podem nascer no deserto...

No deserto, sou objeto do meu olhar.
Introspecção necessária.
Posso redescobrir a minha existência
"Ser" eu mesma...
O futuro?
A possibilidade, viver o instante
Sem promessas...
Mas completamente envolvido
Com a vida, os sonhos e o amor.
Amor que não me cobra certezas

Mas que "chega junto"
E não me deixa dúvidas
Quanto ao desejo de vivê-lo intensamente
“Um dia de cada vez"
Nesta amplidão do deserto
Chego tão perto de mim,
De ti...
E esse vento que sopra tão forte no meu rosto
Veste-me de esperança
e me Diz:
“Vai existir
Eu sei, vai ter que existir
Vai resistir nosso lugar"


terça-feira, 27 de abril de 2010

Com licença, vou XINGAR!

Hoje me desculpe
Sensatez e tratados vão desabar
Chega de pranto, desencanto
Não quero caminhar por labirintos
que sangram os pés
Quero os dias claros
a definição
O sopro da vida sem correntes
Sair da inércia
Preciso de uma força
Um impulso

Com licença,
Vou perder a linha,
Não vou chorar...
VOU GRITAR!

"O Silêncio nos traz ao foco, à essência, à criatividade, à força interna."

Neste rio do meu ser, me deixei ancorar
Ele me diz Quem sou
Meus segredos, desejos mais íntimos
Meu valor...
Um rio que no silêncio me desperta:
Fé, coragem! Nada te impede senão o medo
Não há segredo...
Vai!
Toma as rédeas do teu barco
Vista-se de esperança
"No esforço da busca, a alegria do encontro"

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O silêncio nos revela


Revelamo-nos no silêncio
Nossos caminhos não se encontram
enquanto razão e corpo
Moramos na alma
Não nos completamos
Apenas partilhamos nossa completude
"Não temos um menu de existência
existimos em nós mesmos"
Esta é a linguagem do nosso amor...

Teu olhar silencioso grita


Teu olhar, sorriso,Diz...
Silencioso GRITA!
Nos fechamos nalgum lugar
Percebemos os dois
nos abrimos quando "demasiados perto"
"Como a primavera abre a sua primeira rosa"
A semente abre-se em terra fria
tornando-se broto...
O lagarto rompe o casulo
transforma-se em borboleta
O pássaro descobre suas asas
voa alto, leve livre
Ternura que nos encontra
graciosamente nos encanta...
.................................................


Familia

"A família não nasce pronta:
Constrói-se aos poucos
e é o melhor laboratório...
Em casa, entre pais e filhos,
pode-se aprender a amar,
ter respeito, fé
solidariedade companheirismos
e outros sentimentos"


"Na educação de nossos filhos
Todo exagero é negativo.
Responda-lhe, não o instrua.
Proteja-o, não o cubra.
Ajude-o, não o substitua.
Abrigue-o, não o esconda.
Ame-o, não o idolatre.
Acompanhe-o, não o leve.
Mostre-lhe o perigo, não o atemorize.
Inclua-o, não o isole.
Alimente suas esperanças, não as descarte.
Não exija que seja o melhor, peça-lhe para ser bom e dê exemplo.
Não o mime em demasia, rodeie-o de amor.
Não o mande estudar, prepare-lhe um clima de estudo.
Não fabrique um castelo para ele, vivam todos com naturalidade.
Não lhe ensine a ser, seja você como quer que ele seja.
Não lhe dedique a vida, vivam todos.
Lembre-se de que seu filho não o escuta, ele o olha.
E, finalmente, quando a gaiola do canário se quebrar, não compre outra...
Ensina-lhe a viver sem portas."
Eugênia Puebla


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dance comigo...

Hoje tem baile
Dance comigo
Deixe que a magia nos envolva
O tempo nos devolva
O que o destino nos roubou
E antes que o relógio
soe meia noite
Me deixe desvendar
o mistérios dos teus olhos
O fascínio que há em ti...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ontem segredo nosso; Hoje, segredo meu...

Tenho algo teu
De quando meus olhos
ainda pousavam nos teus
Diziam e calavam sua timidez
Deixou cair em minhas mãos
naquela noite
Numa brincadeira de criança
Guardo com afeto, carinho
Há instantes em que me zango
Jogo-o com força na caixinha
dele me descuido...
Em segundos me refaço
Toco-o de novo com carinho
Cuido, cuido,cuido...
Ele me diz de você
Faz poesia em mim
O anel que tu me destes
Não te lembras, bem sei
Ontem, segredo nosso
Hoje, segredo meu...

Deixe-me sonhar...

Vamos à praia
Ver o por do sol
correr de mãos dadas...
Fazer castelos de areia
Vai rir do meu desenho,
um coração.
Dentro dele nosos nomes
A onda vai apagar o meu desenho
Destruir nossos castelos
Mas os sonhos, as lembranças
a magia do momento
Nada e ninguém pode apagar
Moram na alma....

"E assim, me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o "meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis."


Hoje, deixe-me sonhar
viajar pelo mundo da ilusão...
Imaginar...
Um sonho antigo de menina
Nós dois sentados a beira mar
Meu olhar no seu olhar
namorando à luz do luar
Contando as estrelas...

Nesta viagem imaginária
sinto um acender de luzes
bem dentro de mim
Uma bagagem tão vazia
de momentos nossos
que acende uma saudade
de tudo que sonhei e não vivi...

terça-feira, 20 de abril de 2010

"O livro é passaporte, é bilhete de partida" Bartolomeu Campos


Até pouco tempo, lecionava. Tinha uma supervisora "ultrapassada", vistava nossos planos de aula. Dizia sentir falta das tarefas no meu plano da sexta feira. Lembrava-me que isso poderia prejudicar minha avaliação de desempenho. Não me importava, mas a verdade,era que uma média abaixo de nove tornaria quase impossível encontrar um contrato no ano seguinte no estado. Tentei convencê-la algumas vezes do meu trabalho. Era imparcial. Sempre me respondia com ar de superioridade, reafirmando que os cadernos dos alunos deviam voltar recheado de atividades todas às sextas feiras. Meu Deus! Ainda existiam dinossauros?
Não vou mentir, quando ela dizia recheado, eu só imaginava um recheio de jiló.
Nada contra, até como; mas um recheio de morango é muito melhor
Quando senti que era impossível convencê-la, comecei a "trapacear".
"Eu juro"! fiz isso pelo bem dos meus alunos.
Meu plano passou a ser recheado de "TAREFAS DE CASA". Operações: subtração, adição, divisão e multiplicação. Tudo "trapaça".
Levei um bom tempo "trapaceando". Depois de algum tempo ela percebeu mudança positiva nos alunos. Ufa! Até que enfim!
Na sexta, após o recreio, chegavam "esbafuridos" na sala. Pedia a todos que guardassem todo o material. cruzassem os braços para ouvir a história.
Sempre escolhia um livro interessante. Tinha que ter uma história atrativa, Procurava livros na biblioteca que tivesse a quantidade necessária para distribui-los a todos. Começava a leitura em sala, contava o início da história de forma a despertá-los, aguçando a curiosidade deles. Depois, eis a verdadeira "tarefa de casa", entregava o livro para continuarem lendo em casa.
Muitas vezes, após o sinal, eu os via no pátio, aguardando o transporte escolar com o livro nas mãos completamente envolvidos. Não terminava aí, o nosso trabalho. Os primeiros horários na segunda eram dedicados ao livro. Alguns contavam a história na frente. Outros a desenhavam, outros representavam através de teatro. No final, registravam no caderno parte da história que mais gostavam. Nunca deixava escapar a pergunta: "Porque você gostou mais deste trecho da história?
Puxa! Era muito bom a cada semana descobrir palavras novas, procurar significados no dicionário, aprender acentuar e separar corretamente.
As crianças aprendiam ler e escrever melhor.
Tudo isso sem pressão.
Me lembro de um livro muito bom em meados de setembro, mês que antecedia as eleições. Um livro relacionado à política. Foi o máximo. O trabalho foi tão bom que os pais participaram e o resultado foi muito positivo.
Um dia desses encontrei um aluno que passou num concurso público.
Me disse uma frase que me fez sentir a rainha da cocada prêta.
"Professora, aprendi a gostar de ler com a Sra. Não me esqueço de quando dizia pra que não nos contentássemos com um livro ou dois em nossas pesquisas, mas que nos cercássemos deles." Puxa! Muito bom ouvir isso. Levanta o astral.
Incentivar e motivar à leitura é uma das melhores formas de fazer a criança viajar, conhecer novos lugares, culturas , saberes.
Viver a magia de sonhar...


“Um país se faz com homens e com livros”, (Monteiro Lobato)


Dia 18 de abril



Instituído como o dia nacional da literatura infantil, em homenagem à Monteiro Lobato, um dos maiores autores da literatura infantil, brasileira.
“Um país se faz com homens e com livros”
, uma de suas frases que nos dá a dimensão da importância que ele dava à leitura
........................................................

"São inúmeros personagens ele criou como: O Jeca Tatu, um caipira preguiçoso,D. Benta, a avó; Emília, a boneca falante; Tia Nastácia, cozinheira e seus famosos bolinhos de chuva, Pedrinho e Narizinho, netos de D. Benta; Visconde de Sabugosa, o boneco feito de sabugo de milho, Tio Barnabé, o caseiro do sítio que contava vários “causos” às crianças; Rabicó, o porquinho cor de rosa; dentre vários outros que foram surgindo através das diferentes histórias. Quem não se lembra do Anjinho da asa quebrada que caiu do céu e viveu grandes aventuras no sítio?

Dentre suas obras, Monteiro Lobato resgatou a imagem do homem da roça, apresentando personagens do folclore brasileiro, como o Saci Pererê, negrinho de uma perna só; a Cuca, uma jacaré muito malvada; e outros. Também enriqueceu suas obras com obras literárias da mitologia grega, bem como personagens do cinema (Walt Disney) e das histórias em quadrinhos.

Na verdade, através de sua inteligência, mostrou para as crianças como é possível aprender através da brincadeira. Com o lançamento do livro “Emília no País da Gramática”, em 1934, mostrou assuntos como adjetivos, substantivos, sílabas, pronomes, verbos e vários outros. Além desse, criou ainda Aritmética da Emília, em 1935, com as mesmas intenções, porém com as brincadeiras se passando num pomar.

Monteiro Lobato morreu em 4 de julho de 1948, aos 66 anos de idade, no ano de 2002 foi criada uma Lei (10.402/02) que registrou o seu nascimento como data oficial da literatura infanto-juvenil."

Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ADEUS TAMBÉM FOI FEITO PRA SE DIZER...


Quando nos olhamos calados
Nossos corações se tocaram
Desviei os olhos pra não chorar...
Não sei se algo mudaria entre nós
se meu amor eu tivesse confessado
Dentro de mim era o fim, eu sabia
Seus planos de futuro já não me incluia...
(ReginaPaoli)




Parte de nós o que fomos ontem, outra, o que decidimos ser...

Teus passos longos, largos,
levou-te pra tão distante dos caminhos meus
Num chão em que me prendi
esperando em vão pelos passos teus
Triste foi o tempo, a espera
Cruel foi o adeus, o fim
..................
Teus sonhos, tuas asas
te levou pra tão longe
Traçou nossos destinos...
Parte de nós, o que fomos ontem
outra, o que decidimos ser
Visita-nos a primeira, enternece-nos, emociona
Censura-nos a outra, lembranças e intenções
...................
Nossos passos a um passo do encontro
Caminho longo, lindo. Quem sabe juntos?
Não, o acaso não nos protegeu. Nem você, nem eu,
Outra estrada, outro rumo. Separados! Sem querer...
Não marcamos com pedrinhas o caminho
Não soubemos voltar...
.................
(Regina Paoli)

THE END...



Não sei quando te perdi
Se quando o seu orgulho te fez ir, ou quando o meu não te pediu pra ficar...
(Regina Paoli)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"Lembrança é quando, mesmo sem autorização, o seu pensamento reapresenta um capítulo" . Adriana Falcão

Minhas lembranças
alcançam a curva da estrada
onde os trilhos se partiram
selando nossos destinos...
O vento sopra solitário
Gotas de orvalho caem
enferrujam os trilhos
Os galhos da castanheira
balançam...
Suas folhas não caem mais
Nem alimentam sua raiz
Congelam...
(Regina Paoli)




"Essa lembrança que nos vem às vezes...
folha súbita
que tomba
abrindo na memória a flor silenciosa
de mil e uma pétalas concêntricas...
Essa lembrança...mas de onde? de quem?
Essa lembrança talvez nem seja nossa,
mas de alguém que, pensando em nós, só possa
mandar um eco do seu pensamento
nessa mensagem pelos céus perdida...
Ai! Tão perdida
que nem se possa saber mais de quem!"

Mário Quintana


"Sou responsável quando deixo que outro faça por mim o que me cabe."


Cabisbaixo!
Acuado indefeso
Olhar perdido,
Fulminante triste
Fruto da violência
Negligência dos pais
Descaso social.
Ferido!
Físico emocional
Vem meu anjo,
Deixe-me curar essas feridas
espalhadas pelo seu corpo
frágil, raquítico
As feridas da alma?
Sabe-se lá o que se passa
nesse coração inocente
que bate acelerado
e ainda me diz docemente
"Tia cê é um anjo"


Não fui um anjo, meu anjo!
Tenho sensibilidade
Percebi seu olhar perdido
seu corpo ferido.
Curei suas feridas
Só isso!
Meu sofá cômodo
Minha mesa farta
Meus problemas "grandes"
Impediram-me de lutar por você
Deixei-te sem vez e sem voz...
No jornal a notícia
Tombado! morto !
Condenado!
Meu dedo em riste
aponta os culpados: Governo, sociedade...
E eu?
Parte integrante dessa sociedade,
Cidadã consciente
Decido pelo voto, quem governa

Culpada ou inocente?
(Regina Paoli)


quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Vocação Parte II


Bateu palmas chamou pela Dona Maria. Eis que aparece uma mulher, bonita, mas "esquisita"
Foi logo se apresentando.
A Mulher a olhou assustada e foi logo perguntando se já tinha 18 anos.
Disse que sim e ela pediu pra ver os meus documentos.
(Achou o cúmulo do absurdo quando ela disse que eram normas da casa, e menor era confusão na certa.
Credo, pensou. O que os policiais tinham a ver com a idade das professoras?
"Trem" mais esquisito.
Era habilitada, isso é o que importava.
Após ter mostrado os documentos, entrou na "grande casa".
Tudo muito limpo, estava lustrando o chão com um "velho escovão", o piso vermelho parecia um espelho.
Mostrou-lhe o quarto onde ficaria e avisou e não poderia atendê-la naquele momento mas que voltariam a conversar depois das seis, antes de começar o "TRABALHO".
Teve tempo apenas de perguntar a que horas as meninas chegavam. Respondeu que só chegariam à noite para o trabalho.
Achou estranho uma "ESCOLA" funcionar só a noite mas ainda assim pensou que poderia estar no tempo de colheita e os alunos só poderiam nesta época frequentar as aulas noturnas. Já tinha lido algo sobre isso
Deixou a mala do lado da cama, tomou um banho e ela mesma esquentou a comida...
O tempo foi passando e foi achando tudo muito esquisito. Alguns homens entravam na cozinha da casa, se serviam de café eles mesmos.
"Que espécie de casa era aquela?
Quanta liberdade!" a menina se perguntava.
Seu coração foi se apertando... Sentiu uma vontade danada de ir embora.
Pediu Dona Maria que se adiantasse na conversa pois estava de certa forma um pouco aflita.
A mulher deixou seus afazeres, serviu-lhes
café numa garrafa de alumínio que mais parecia um espelho. "caprichosa a danada"
As perguntas vinham rápidas e da mesma forma respondidas. (não era bem o tipo de pergunta que ela esperava)
Respondia tudo. Sabia, precisava convencê-la da sua vocação.
Quando a questionou se era aquilo mesmo que queria, respondeu com com toda certeza
"Nasci pra isso, é minha vocação"
A mulher retrucou dizendo que nunca havia
conhecido ninguém que tenha nascido pra aquela vida.
"FALAVAM DE COISAS DISTINTAS"
E então veio a pergunta que não poderia calar!
-Como é a sua prática?
Ela, olhando nos olhos da Maria respondeu com muita naturalidade :
-Não vou mentir pra senhora, não tenho prática mas sou muito inteligente, aprendo com facilidade, e quando D.Maria já estava quase convencida de "seu talento e vocação", veio a pergunta que esclareceu de vez a sua ida.
Mas quem te indicou minha casa?
Ela com um sorriso respondeu:
-Minha professora de didática. Que acha que me encaixo nesta vaga.
D.Maria com um ar completamente "confuso" perguntou:
-Menina, o que é exatamente que veio fazer aqui?
-Eu vim dar aula,"uai" sou professora não sou?
A mulher ficou branca e foi logo dizendo:
- você veio no lugar errado minha filha, aqui é uma casa de "tolerância" "Redevur".
Quase caiu pra tras.
Poxa vida! tinha parado numa "zona"!
D. Maria, pediu ao ZECA, um funcionário do "prostíbulo" pra que a levasse na casa da verdadeira Maria Pimenta, que dava alojamento para as professoras.
Dizia a si mesma, " ninguém nunca saberia dessa história"
Chegando no alojameto deu de cara com uma comemoração na cidade, uma quermesse.
As professoras já arrumadas, convidaram-na para ir também.
Preferiu ficar quietinha. Também depois de tudo...

Numa das conversas entre as professoras, uma delas se preparava para encontrar
o namorado, quando uma de suas amigas disse:
-Nem precisa esperar seu namorado não vem hoje. Dizem que tem "carne nova na pimenta" e ele está na fila.
Disse isso morrendo de rir.
"MEU DEUS" pensou, era ela a carne nova!
Foi um mico e tanto!
Hoje ela ri dessas lembranças.
Já almoçou e tomou banho num REDEVUR,
credo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Conto A vocação. Parte I


Acabara de completar 18 anos."Uma menina"
Sonhadora, romantica, cheia de sonhos,
e recém formada no magistério.
Numa bela manhã, sua ex professora que trabalhava na delegacia de ensino da cidade, ligou dizendo que havia uma vaga numa escola rural e havia pensado nela ...
Seu sonho era dar aula e esta era a chance de começar...
Sua professora explicou como faria pra chegar até lá. Deu todas as dicas: ponto de parada, como pegar carona com o ônibus que transportava trabalhadores da Florestal
a abordagem ao motorista para levá-la à escola .
Ela se prendeu muito mais ao poder de "convencimento" junto à Maria, uma antiga cantineira da escola, que relatava á diretora suas primeiras impressões sobre as candidatas.
Também era responsável pelo alojamento, uma pensão que acolhia
professoras que vinham de fora.
Era fundamental mostrar segurança e deixar clara a sua "vocação".
Depois de selado os "acordos", já com aceitação do namorado e bençãos dos pais, torcida de irmãos, amigos, foi com cara e coragem...
Foi a primeira vez que saiu de casa sozinha.
ssim que desceu desceu na BR, avistou a casinha branca onde ficaria aguardando o ônibus. Esperou por quase 40 minutos, com o coração na mão...
O ônibus chegou e se apressou em sinalizar pra ele...
O motorista parou. Perguntou ao motorista se poderia levá-la ao destino: casa da D. Maria Pimenta.
Com olhar espantado o motorista acenou que sim.
Era muito novinha, tinha os olhos verdes e ingênuos.
Entrou no ônibus muito
sem graça sob os olhares maliciosos dos "peões". Alguns deles ainda diziam que visitariam-na mais à noite...
Nossa! Teve vontade de voltar pra casa.
Lugar esquisito, pensava; Os homens não podem ver uma moça,
vão logo se engraçando...
Assim que chegaram frente a uma casa enorme, lugar bem afastado da cidade, o motorista parou e disse havíam chegado ao seu destino...
Agradeceu e desceu aliviada, ao som de alguns engraçadinhos...
Ficou "chocada". "Credo"! As professoras são amigas desses homens? Frequentam a casa delas? Mais uma vez teve vontade de ir embora. Mas permaneceu firme. Encheu os pulmões de ar.respirou fundo e chamou a dona Maria...
(Ai começa o capítulo mais interessante dessa história...)

"Deixa-me perder a hora Pra ter tempo de encontrar a rima"


No diário, o registro: Existo
Há vida pulsante neste instante
Fome em compreender
Este rio do meu ser
Este som, orquestra fina
que ora desafina
e
desatina a alma.




segunda-feira, 12 de abril de 2010

Conto de amor...

A CARTA
Eram dez horas quando o carteiro deixou em suas mãos as correspondências...
Seu coração quase saiu pra fora; uma das cartas endereçada a ela.
Era dele, pensou. Só podia ser...
Deixou as outras correspondências sobre a mesa. Correu, puxou a escada do sótão, acendeu a luz. Abriu a carta...
Palavras lindas, ele era romântico.
Será que estava namorando? O que diria aos pais?
Um trecho da carta era claro, ficava "martelando" sua cabeça.
-Diga sim e seremos namorados. Tu sabes, gosto de ti.
O tempo passou....
Não respondeu as cartas. Timidez...
( No fundo já sentia-se namorada)
Em segredo, ele já era o seu amor...
Uma rotina. Chegava da escola, corria pro sótão, pegava as cartas
escondidas no "fundo falso" do colchão de uma cama antiga
que dobrava e ocupava pouco espaço.
Lia tanto que chegou a decorá-las; uma por uma.
Um dia, chegou da escola, correu pro sótão como de costume.
A cama não estava lá; havia sido doada pela mãe...
Chorou todas as lágrimas do mundo...
Sentiu-se como uma criança que perde o brinquedo mais querido; no seu caso, não mais um brinquedo, mas algo precioso, que alimentava seus sentimentos de menina, guardados no coração que não cabia em si de felicidade...
Uma luzinha se apagou...
Sentia uma vontade incontida de chorar, mas respirava fundo.
Embora as cartas não estivessem mais ali, a doçura, carinho, e o afeto,
já haviam contagiado o seu coração de menina apaixonada...


domingo, 11 de abril de 2010

Deixou-nos o tempo suspensos no silêncio
Senti o teu, mudo.
Exercitei o meu...
Por tanto tempo impressões, emoções
Sentimentos "guardamos"
Doeu em mim o silêncio que não partilhamos
Que seria o fio de esperança...
Desistimos de nós. Perdemo-nos
Teus olhos se despediram dos meus
Os meus nunca se despiram dos teus...
Te amei em silêncio...
Experimentei a dor da ausência
orgulho, arrogancia, indiferença...
Por tanto tempo alimentei a esperança
Sua ausência fêz-se saudade
Mas o tempo passou e dentro de mim
a compreensão enfim
Sua indiferença? Total ausência de lembranças
Orgulho? Imaturidade
Arrogância? Não sei...
Sei apenas que a vida lhe exigiu mudanças...
Não sei porque seguimos caminhos diferentes
Algo aconteceu entre nós
Um mundo de razão calou nosso coração
Não disse nada
Nada de tí ouví
Calamo-nos apenas
Pagamos o preço pelo silêncio mudo...
Existe um motivo pra cada instante e encontro
Há de se ter sensibilidade pra perceber o encanto...
O acaso nem sempre vai nos proteger e num instante perdemos a magia...

Voou...
Leve, livre...
Cumpriu seu papel; encantar-me
Cumpri o meu: ouvi o seu canto
Voou...
Levou consigo meu olhar de encanto
Deixou comigo seu olhar indiferente...
Seu amor é feito pássaro livre
Pousa à minha janela
Deixa seu canto
Encanta
Depois voa...

Ternura...

Me leva com você pro mar
Me ensina a navegar
Eu te ensino a me amar...
Nos teus olhos castanhos
Meus olhos verdes hão de morar...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

MICO.: O salto da cinderela.



"Pimenta no zói dos outros é refresco". Pura verdade!
Era festa de 15 anos de uma colega da escola,
fomos em quatro,
eu, mais três amigas e o pai de uma que nos levou de carro.
A festa era num salão bem longe de casa...
Tudo lindo! Do salão á decoração ...
Acabara de comprar uma sandália de salto bem alto, a primeira minha...
Fiquei por três dias treinando andar, acreditam?
Estava usando um vestido verde, com uma faixa preta na cintura...
Nada a ver com KARATÊ. "última moda"
Assim que a aniversariante chegou, corremos para cumprimentá-la ...
De repente, senti um leve puxar pra trás, pisei diferente pra caramba ,
fingi que não me importei, afinal "tinha que ser chique", ou pelo menos "fingir" que era...
Me adiantei à mesa, queria saber o que havia acontecido à minha sandália nova...
Comprada na boutique "MM". "Mercado Municipal"Mas ninguém precisava saber disso. Né?
Tomei um baita susto! Perdi o salto! Help! Onde estaria o meu salto?
Completamente sem graça cutuquei minha amiga...
Ela não se conteve, caiu na gargalhada...
Percebendo meu desconforto, prometeu ajudar recuperar o salto sem alardes.
Se dispôs até mesmo tirar os sapatos caso fôssemos dançar. (Sempre amei dançar) Eis que num piscar de olhos no centro do salão,surge um amigo.
Tinha que ser ele!O mais palhaço e gozador da turma...
Quis acreditar que era um pesadelo e que iria acordar... Com o salto do meu sapato nas mãos ele dizia: "Me aguarde com o seu sapatinho Cinderela,
a partir de agora você conhecerá o mais charmoso príncipe dessa festa,
Queria sumir dali, enfiar em qualquer buraco...
O que aconteceu depois?
Eu disse à minha amiga que iria ao banheiro, rachei quente!; e nem sequer passava perto de soar o relógio meia noite...
De sapato nas mãos, "sem o salto é claro", Fui à pé pra casa. Perdi a festa linda!
Dizem que nosso amigo, "aquele mala", passou de mesa em mesa procurando encontrar a "Cinderela" que perdeu o "salto" não o sapatinho...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

REENCONTRO...

Olhares se encontram, tímidos

o coração experimenta estado pleno de ternura

Sentimento não fugaz como a emoção

"Sem prazo de validade como o corpo"

Como sonho, nunca envelhece

Transcende o tempo, a matéria

Instante mágico, energia linda que envolve

O mesmo olhar, passos, sorriso...

Imagens do passado voltam

Alimentam sonhos adormecidos

Segredos de um tempo branco e lilás

Tijolos de cristais

Tanta coisa por dizer

Caminhos distantes, tardios...

Sentimentos, um fio, tecido em linha fina

Traçados minuciosos de saudade...

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Encontro-te

Encanto-me

Foge de mim em instantes, a lucidez

Rouba-me a sensatez...

O coração sobressalta

O desejo: do beijo, abraço, afago...

Censuro minhas intenções

Diante de mim sua timidez

Crio palavras, todas me faltam

Não digo a dimensão do meu amor

Nem posso...

Não há como fugir das lembranças

Moram em mim...

Um cenário que não existe mais

O que tenho são castelos de sonhos

Construídos ao longo do tempo

Fantasias que fluem como uma procissão

Antigas saudades embaladas pela emoção

Nada lhe peço, além do beijo na face e perdão

Por instantes, te ví pelo retrovisor...



Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

(Fernando Pessoa)