quarta-feira, 30 de junho de 2010

A carta.


Amor, ternura, encanto...

Passava das 20 horas quando a porta do quarto do hospital se abriu lentamente.
Era meu pai...
Ninguém tirava meu pai de casa no horário do Jornal Nacional
Ele nunca deixava de responder "BOA NOITE" ao CID MOREIRA.
Nesta noite ele deixou...
Seu coração o levou ao hospital. Foi lindo!
Ainda meio adormecida, escutei a sua voz.
- vim ver como está passando e trazer algo que chegou pra você esta tarde.
Um silêncio pairou entre nós.
Nas mãos, uma caixinha e um envelope...
-Qual dos dois quer ver primeiro?
-Tenho aqui uma caixinha com uma surpresa linda
sua madrinha que enviou. Tenho também uma carta ...
Mais que depressa respondi:
-A carta pai.
Ele me olhou fixamente nos olhos como se dissesse,
"eu já sabia"
Entregou-me o envelope, deixou a caixinha sobre a mesa,
deu-me um beijo na testa e despediu-se.
Li a carta.
Reli.
De novo, de novo, de novo,,,
Demorei um pouco para respondê-la porque o sangue, devido ao esforço, de vez em quando voltava pela mangueirinha do soro injetado em minhas mãos.
Naquela noite, dormi com a lembrança do olhar de afeto do meu pai e abraçada a carta do meu primeiro namorado. (segredo já desvendado)
A correntinha de ouro com a letra "R" era linda ,ficou sobre a mesa.
Acho que ele, meu primeiro namorado, nunca soube do hospital...
Do meu amor?
Não sei o quanto.
Sei dizer apenas que meu amor era "Pura Magia"
Dele, "sempre fiz poesia..."
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