quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Vocação Parte II


Bateu palmas chamou pela Dona Maria. Eis que aparece uma mulher, bonita, mas "esquisita"
Foi logo se apresentando.
A Mulher a olhou assustada e foi logo perguntando se já tinha 18 anos.
Disse que sim e ela pediu pra ver os meus documentos.
(Achou o cúmulo do absurdo quando ela disse que eram normas da casa, e menor era confusão na certa.
Credo, pensou. O que os policiais tinham a ver com a idade das professoras?
"Trem" mais esquisito.
Era habilitada, isso é o que importava.
Após ter mostrado os documentos, entrou na "grande casa".
Tudo muito limpo, estava lustrando o chão com um "velho escovão", o piso vermelho parecia um espelho.
Mostrou-lhe o quarto onde ficaria e avisou e não poderia atendê-la naquele momento mas que voltariam a conversar depois das seis, antes de começar o "TRABALHO".
Teve tempo apenas de perguntar a que horas as meninas chegavam. Respondeu que só chegariam à noite para o trabalho.
Achou estranho uma "ESCOLA" funcionar só a noite mas ainda assim pensou que poderia estar no tempo de colheita e os alunos só poderiam nesta época frequentar as aulas noturnas. Já tinha lido algo sobre isso
Deixou a mala do lado da cama, tomou um banho e ela mesma esquentou a comida...
O tempo foi passando e foi achando tudo muito esquisito. Alguns homens entravam na cozinha da casa, se serviam de café eles mesmos.
"Que espécie de casa era aquela?
Quanta liberdade!" a menina se perguntava.
Seu coração foi se apertando... Sentiu uma vontade danada de ir embora.
Pediu Dona Maria que se adiantasse na conversa pois estava de certa forma um pouco aflita.
A mulher deixou seus afazeres, serviu-lhes
café numa garrafa de alumínio que mais parecia um espelho. "caprichosa a danada"
As perguntas vinham rápidas e da mesma forma respondidas. (não era bem o tipo de pergunta que ela esperava)
Respondia tudo. Sabia, precisava convencê-la da sua vocação.
Quando a questionou se era aquilo mesmo que queria, respondeu com com toda certeza
"Nasci pra isso, é minha vocação"
A mulher retrucou dizendo que nunca havia
conhecido ninguém que tenha nascido pra aquela vida.
"FALAVAM DE COISAS DISTINTAS"
E então veio a pergunta que não poderia calar!
-Como é a sua prática?
Ela, olhando nos olhos da Maria respondeu com muita naturalidade :
-Não vou mentir pra senhora, não tenho prática mas sou muito inteligente, aprendo com facilidade, e quando D.Maria já estava quase convencida de "seu talento e vocação", veio a pergunta que esclareceu de vez a sua ida.
Mas quem te indicou minha casa?
Ela com um sorriso respondeu:
-Minha professora de didática. Que acha que me encaixo nesta vaga.
D.Maria com um ar completamente "confuso" perguntou:
-Menina, o que é exatamente que veio fazer aqui?
-Eu vim dar aula,"uai" sou professora não sou?
A mulher ficou branca e foi logo dizendo:
- você veio no lugar errado minha filha, aqui é uma casa de "tolerância" "Redevur".
Quase caiu pra tras.
Poxa vida! tinha parado numa "zona"!
D. Maria, pediu ao ZECA, um funcionário do "prostíbulo" pra que a levasse na casa da verdadeira Maria Pimenta, que dava alojamento para as professoras.
Dizia a si mesma, " ninguém nunca saberia dessa história"
Chegando no alojameto deu de cara com uma comemoração na cidade, uma quermesse.
As professoras já arrumadas, convidaram-na para ir também.
Preferiu ficar quietinha. Também depois de tudo...

Numa das conversas entre as professoras, uma delas se preparava para encontrar
o namorado, quando uma de suas amigas disse:
-Nem precisa esperar seu namorado não vem hoje. Dizem que tem "carne nova na pimenta" e ele está na fila.
Disse isso morrendo de rir.
"MEU DEUS" pensou, era ela a carne nova!
Foi um mico e tanto!
Hoje ela ri dessas lembranças.
Já almoçou e tomou banho num REDEVUR,
credo!
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