quarta-feira, 7 de abril de 2010

REENCONTRO...

Olhares se encontram, tímidos

o coração experimenta estado pleno de ternura

Sentimento não fugaz como a emoção

"Sem prazo de validade como o corpo"

Como sonho, nunca envelhece

Transcende o tempo, a matéria

Instante mágico, energia linda que envolve

O mesmo olhar, passos, sorriso...

Imagens do passado voltam

Alimentam sonhos adormecidos

Segredos de um tempo branco e lilás

Tijolos de cristais

Tanta coisa por dizer

Caminhos distantes, tardios...

Sentimentos, um fio, tecido em linha fina

Traçados minuciosos de saudade...

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Encontro-te

Encanto-me

Foge de mim em instantes, a lucidez

Rouba-me a sensatez...

O coração sobressalta

O desejo: do beijo, abraço, afago...

Censuro minhas intenções

Diante de mim sua timidez

Crio palavras, todas me faltam

Não digo a dimensão do meu amor

Nem posso...

Não há como fugir das lembranças

Moram em mim...

Um cenário que não existe mais

O que tenho são castelos de sonhos

Construídos ao longo do tempo

Fantasias que fluem como uma procissão

Antigas saudades embaladas pela emoção

Nada lhe peço, além do beijo na face e perdão

Por instantes, te ví pelo retrovisor...



Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

(Fernando Pessoa)
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