terça-feira, 20 de abril de 2010

"O livro é passaporte, é bilhete de partida" Bartolomeu Campos


Até pouco tempo, lecionava. Tinha uma supervisora "ultrapassada", vistava nossos planos de aula. Dizia sentir falta das tarefas no meu plano da sexta feira. Lembrava-me que isso poderia prejudicar minha avaliação de desempenho. Não me importava, mas a verdade,era que uma média abaixo de nove tornaria quase impossível encontrar um contrato no ano seguinte no estado. Tentei convencê-la algumas vezes do meu trabalho. Era imparcial. Sempre me respondia com ar de superioridade, reafirmando que os cadernos dos alunos deviam voltar recheado de atividades todas às sextas feiras. Meu Deus! Ainda existiam dinossauros?
Não vou mentir, quando ela dizia recheado, eu só imaginava um recheio de jiló.
Nada contra, até como; mas um recheio de morango é muito melhor
Quando senti que era impossível convencê-la, comecei a "trapacear".
"Eu juro"! fiz isso pelo bem dos meus alunos.
Meu plano passou a ser recheado de "TAREFAS DE CASA". Operações: subtração, adição, divisão e multiplicação. Tudo "trapaça".
Levei um bom tempo "trapaceando". Depois de algum tempo ela percebeu mudança positiva nos alunos. Ufa! Até que enfim!
Na sexta, após o recreio, chegavam "esbafuridos" na sala. Pedia a todos que guardassem todo o material. cruzassem os braços para ouvir a história.
Sempre escolhia um livro interessante. Tinha que ter uma história atrativa, Procurava livros na biblioteca que tivesse a quantidade necessária para distribui-los a todos. Começava a leitura em sala, contava o início da história de forma a despertá-los, aguçando a curiosidade deles. Depois, eis a verdadeira "tarefa de casa", entregava o livro para continuarem lendo em casa.
Muitas vezes, após o sinal, eu os via no pátio, aguardando o transporte escolar com o livro nas mãos completamente envolvidos. Não terminava aí, o nosso trabalho. Os primeiros horários na segunda eram dedicados ao livro. Alguns contavam a história na frente. Outros a desenhavam, outros representavam através de teatro. No final, registravam no caderno parte da história que mais gostavam. Nunca deixava escapar a pergunta: "Porque você gostou mais deste trecho da história?
Puxa! Era muito bom a cada semana descobrir palavras novas, procurar significados no dicionário, aprender acentuar e separar corretamente.
As crianças aprendiam ler e escrever melhor.
Tudo isso sem pressão.
Me lembro de um livro muito bom em meados de setembro, mês que antecedia as eleições. Um livro relacionado à política. Foi o máximo. O trabalho foi tão bom que os pais participaram e o resultado foi muito positivo.
Um dia desses encontrei um aluno que passou num concurso público.
Me disse uma frase que me fez sentir a rainha da cocada prêta.
"Professora, aprendi a gostar de ler com a Sra. Não me esqueço de quando dizia pra que não nos contentássemos com um livro ou dois em nossas pesquisas, mas que nos cercássemos deles." Puxa! Muito bom ouvir isso. Levanta o astral.
Incentivar e motivar à leitura é uma das melhores formas de fazer a criança viajar, conhecer novos lugares, culturas , saberes.
Viver a magia de sonhar...


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